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quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Publicação no Diário de SP - 11


Link da publicação no Jornal Online Diário de SP: 

Relacionamento é analogia intercultural

Parei pra pensar sobre como as pessoas se comportam sobre os relacionamentos. Você gosta do José, mas o José gosta da Ana. A Ana gosta do Cláudio, e o Cláudio gosta da Maria, mas a Maria gosta de mulher e gosta muito da Cláudia. A Cláudia nem desconfia que a Maria gosta dela, mas ajuda com o fato do Cláudio gostar dela. E nessa linha de raciocínio, você gosta de um que gosta do outro e que gosta de outro que nem imagina que existe sentimento. Nessa maré de encontros e desencontros vamos reclamando que não existe par perfeito, ou elogiando demais, porque você já encontrou o seu. 

O porquê de falar de relacionamento dessa vez, é que os americanos são os seres mais complexos para isso. Ou diria que nós brasileiros somos complexos demais pra eles? Não existe dificuldade, existe bom senso. Você gosta, ou não gosta. Você quer, ou não quer. Aquele papo de morrer de amores por alguém que nem sequer pediu seu telefone, não cola. No filme "He's just not that into you" (em português "Ele não está tão a fim de você")  a explicação é clara. Relacionamento é complicado, porque a complicação está dentro da gente. Quem namora, quer casar. Quem casa, quer experimentar outras aventuras, mas se prende por obrigação. O amor vira acessório de bolso. Quando chega em casa, você tira um pouquinho e usa. Quem é solteiro por muito tempo, se desespera pra achar alguém e se rende até aos recursos mais malucos, como sites de relacionamentos ou redes sociais. No desespero de ter alguém para amar, para cuidar do que somos, entramos em paranóia e não é bem assim que funciona. 

Em nível Estados Unidos, você sai numa sexta-feira à noite e encontra aquele cara no bar. Você pede o telefone dele? Errado. Ele tem que pedir o seu. O interesse parte do cara em pedir seu telefone, mas você age no bar e ele te paga um zilhão de bebidas. Essa é a diferença. O Brasil é mais liberal. Tanto faz quem pede o telefone, o que importa é o que vai rolar depois. Essa diferença de cultura faz com que algumas mulheres aqui acabam entrando em crise e se tornam pessimistas sobre algo que nem sequer existe ainda. "Ai, o cara não liga". E daí que o cara não liga? Próximo, por favor. É assim que tem que ser, porque os americanos são decididos e sabem o que querem e quando querem, porque eles também são sistemáticos. Não existe o papo de ligação do dia seguinte. Não! Eles não ligam no dia seguinte. Eles ligam quando eles se sentirem seguros para ligar e se isso acontecer no dia seguinte, assim será.

Dominadas pela ansiedade, a demora dos americanos se torna uma arma para quem é brasileira. Será que você é feia? Será que você disse uma besteira? Por que você não consegue namorar ninguém? Eu te conto, porque você não consegue. Porque você ainda não encontrou a pessoa certa que supre todas as suas necessidades enquanto ser humano. Um rosto bonito não é mais suficiente no mercado. Muito menos rico. Claro que muitas pessoas se rendem por uma ou outra qualidade, mas e os defeitos? Você conseguiria conviver com os defeitos do seu companheiro (a) pro resto da sua vida? Você vai ser feliz assim? E olha que eu não estou falando da toalha molhada em cima da cama. Falo de encontro com os amigos enquanto você fica em casa, de compartilhar detalhes sem ciúmes, de viver a sua vida e ter seu parceiro como complemento. Sim, namorar, casar, o que quer que seja que você nomeie tem seus altos e baixos e se você conseguir lidar com isso e vice-versa, parabéns, você encontrou a tampa da sua panela. Chega de se achar uma frigideira em liquidação. 

A cultura americana assusta um pouco pela forma que se comportam na conquista, mas depois que a coisa funciona, até onde sei eles surpreendem na fidelidade e na dedicação, o que já não é muito de se esperar dos brasileiros. Claro que toda regra tem sua exceção. 

Independente do que você procura, do que você encontra, não existe a pessoa certa. Você tem que ser a pessoa certa. Se você costuma esperar 90% das pessoas com quem se relaciona, tente pelo menos doar também. Todo mundo quer, quer e quer, mas quanto você oferece? Um jantar à luz de velas? Um buquê de flores? Um conselho na hora certa? Um abraço caloroso? Pois é. Parece cafona, mas a diferença está no que você pensa e no que você merece. Se você não merece pouco, não se contente com pouco. Relacionamento é analogia, as teorias nunca acabam e as pessoas mudam independente de onde você esteja. Sempre vai ser um dilema, mas sempre existe uma saída. São dois corpos diferentes buscando semelhanças, que se investigam e que pensam sobre como usar as palavras. E se tem que ser, é e pronto. Dê tempo ao tempo e permita-se ser livre. A liberdade te leva aos melhores delírios. Acredite.

Formada em Publicidade e Propaganda, moro nos Estados Unidos como Au Pair há um ano e seis meses. Se quiser acompanhar a minha experiência nos Estados Unidos, basta acessar meu blog: http://umchocolateaupair.blogspot.com 
ou me seguir no Twitter em http://www.twitter.com/umchocolate

Marcela Rios

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