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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Publicação no Diário de SP - 13

Décima terceira publicação no Diário de SP - Vivendo numa rede social




Link do texto, porém o jornal aceitou o arquivo errado e publicou com alguns erros:
http://www.diariosp.com.br/_conteudo/2011/02/35193-vivendo+numa+rede+social.html


Segue texto original e corrigido:


Vivendo numa rede social

Milhares de pessoas se rendem às redes sociais. Twitter, facebook, orkut, entre outros. Outros milhares aprendem a usar os aplicativos que essas redes sociais oferecem e se tornam escravos dos joguinhos viciantes. Outros milhares se entregam aos blogs e aos textos compulsivos e detalhistas da internet. Alguns se preocupam com o status da sua vida online, quantos amigos possuem ou quantas mentions foram recebidas no twitter.

Digamos que a cada dia estamos em contato com mais quinze pessoas diferentes. Mas será que realmente estamos em contato? Pare pra pensar e diga com quantas pessoas da sua lista do facebook você conversou na última semana. Não digo conversar por conversar, como “oi, e aí” ou “tudo bem e você”, digo trocar ideias, falar do dia a dia, contar uma novidade. Garanto que dá pra contar nos dedos certo? Pois é. A internet afasta ou aproxima as pessoas. Ela é uma faca de dois gumes. Por opinião própria diria que a internet aproxima épocas. Você tem amigos do colégio, da ex-empresa, da última faculdade, seus parentes distantes, mas ela também afasta. Garanto que parte da sua lista funciona como um gatuno que vem te roubar energia dia após dia. Não, ele não te deixa um recado querendo saber de novidades, porque te quer o bem, ele está especulando mesmo, fuçando na sua privacidade, invadindo o teu espaço e cabe a você administrar a resposta, pois de acordo com a sua resposta, mais uns vinte da sua lista te enviarão energia negativa. O ser humano é um bicho competitivo e pra desejar o bem ao próximo, ele tem que sim, ser muito, muito próximo.

Hoje vivemos numa era alucinógena virtual. Se você não tem um perfil em rede social, você é desatualizado, é um retrógrado ferido. Isso é banal. Ter uma conta na internet com um bando de gente que vasculha a tua vida não é sucesso pra ninguém. Na verdade, se pudéssemos adicionar somente os verdadeiros amigos nas nossas contas virtuais, teríamos uma lista de uns dez e-mails e através dos e-mails poderia usar tanto o Skype quanto o MSN e tudo se tornaria ainda mais real. Dos verdadeiros amigos, surgiria verdadeiras risadas em momento real. Você prefere um bate-papo real com situações que te trazem coisas boas, ou prefere alimentar um bando de informação cretina numa página de rede social?

As redes sociais atrapalham a vida de muita gente. Causam discórdia, conflitos, geram polêmica entre amigos, expõe muito do pouco que temos pra mostrar. Não contente em ter um monte de amigos fantasmas circulando pela internet, as redes sociais oferecem mais. Elas te indicam mais, indicam até inimigos e isso se torna cômico. Cômico é ter tanta gente e viver tão pouco. Tem hora que é preciso desconectar. A internet é uma cerveja sem álcool. Você bebe, bebe, bebe e bebe, mas ela não te derruba nunca. Basta um conflito na sua vida pessoal e lá vem a ressaca. Você pega birra, deleta perfil, termina o namoro, muda o status. Agora estou solteira... status: SINGLE. E daí? Divulgar a sua vida para um bando de gente que nem sequer sabe seu aniversário? Verdade! Eles não sabem. A rede social conta até quem assopra as velinhas. Dominados? Não, impressão sua. Isso é conexão fora do normal. Se o computador não funciona, use o celular, se o celular está sem bateria use o do amigo, e se nada funciona, as lan houses estão aí. Mas você tem um recado e não pode deixar de ver. Lamento, sua vida termina aqui.

Neuróticos, alucinados, dominados pelas máquinas e pelos homens que administram as máquinas. Uma rede social pode acabar com o seu casamento, com a sua paz, com o conforto do seu travesseiro e se você duvida disso dê tempo ao tempo, pois pelo menos uma situação que te incomode irá surgir e eu vou rir da sua cara, porque é isso que os números que você tem na sua rede fazem. Sim, porque nós não temos amigos nas redes sociais, nós temos números.

Enquanto as pessoas não se tocarem que o melhor da vida acontece offline, logo mais teremos casais discutindo a relação lado a lado numa cafeteria através do Messenger. Se hoje em dia é possível enviar flores em 24 horas, qual o problema de permanecer no vício facebucando a vida dos outros? Chegar tarde em casa não é mais um problema e querer saber do dia do seu amigo é um mero detalhe. Mande um e-mail, deixa um post pra ele.

Isso tudo não é pra dizer que você tem que deletar seu perfil numa rede social. É só pra dizer que a sua dedicação pra um perfil online é simplesmente mensurável e vai de acordo com a sua capacidade de diferenciar o real do imaginário. Nas redes sociais nós temos três tipos de amigos: gasparzinhos, que você nunca vê; fênix, que ressurge das cinzas e os inimigos. Amigo tem que rir junto, e não é rir com “Lol, kkkkkkkkk, hehehe, hahahaha, hauahuahuhaahua” ou qualquer coisa do tipo. Amigo tem que gargalhar alto e te estourar os tímpanos, ou falar baixinho e te acalmar num minuto.

Desliguem os botões “send” e tenham uma vida mais saudável. Afinal de contas, se você não viver você vai facebucar e contar o que? O melhor da vida acontece offline e o facebook não é o único meio de comunicação no mundo. É hora de abrir outro tipo de janela e respirar ar limpo. Uma hora todo mundo precisa disso.

Abraços!

Formada em Publicidade e Propaganda, moro nos Estados Unidos como Au Pair há um ano e oito meses. Se quiser acompanhar a minha experiência nos Estados Unidos, basta acessar meu blog: http://umchocolateaupair.blogspot.com ou me seguir no Twitter em www.twitter.com/umchocolate

Marcela Rios

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